Rodrigo Hilbert continua sendo uma ameaça para os homens? Ou nunca foi?

Fala ai galera, tudo certo?!

O Clube do Bolinha chega ao seu segundo artigo. Na primeira postagem, falei um pouco sobre mim e sobre como será essa coluna (link primeiro artigo). Lá também provoquei um pouco sobre uma recente ameaça aos paradigmas do universo masculino…as peripécias do ator Rodrigo Hilbert.

Quem acompanha a internet, principalmente os caçadores de memes e zoeiras, se cansou de ver a foto de Hilbert fazendo crochê (não seja eu, não confunda com tricô), ou construindo uma linda casa de madeira para os filhos. A partir daí a treta rolou solta! As mulheres brindaram em uníssono os feitos do “homão da porra”. Já muitos marmanjos ficaram contrariados, reclamando por considerarem esse status inalcançável.

Zoeiras à parte, esse tipo de debate parece trazer à superfície algo que está enraizado na nossa cultura brasileira. As definições bem claras de como e onde os homens devem atuar, como os homens devem ser. E muitos homens não ousam sair dessa linha criada, por ter receio de serem rejeitados pelos seus amigos.

O próprio Rodrigo Hilbert se expressou contra esse endeusamento instantâneo, ao falar no programa Saia Justa, do canal GNT (cujo ator tem seu próprio programa, o Tempero de Família). “Receber elogios pelo fato de cuidar do teu filho, cuidar da sua casa, pelo fato de dividir as tarefas com a sua esposa… Eu não aceito esse rótulo de ‘homão da porra’ pelo simples fato de fazer isso”. A fala dele é totalmente oportuna, por quebrar essa mistificação do seu comportamento como algo inalcançável pelos “meros mortais”. Alguns varões acharam mais conveniente considerar Hilbert como um alienígena, e assim continuar seguindo seu caminho confortável de não trabalhar em casa, por considerar que são atividades femininas (talvez lavam uns pratos pra “ajudar”).

Casa de madeira hilbert

Mas afinal, quem criou esse “Manual de Comportamento do Homem Brasileiro” (daria um bom título de livro, ou não)? Nós homens, desde crianças, já temos contato com essas imposições de comportamento. Na minha infância, durante os anos 1980 e 1990, e considerando as limitações financeiras e de educação, a coisa era complicada, pois não tínhamos tantas fontes de informação quanto agora. Já a geração touch recebe uma enxurrada de informações, mas essas chegam desencontradas, sem filtros.

O comportamento do homem na sua fase inicial é ditado, a princípio, a partir dos valores transmitidos pela família (eu particularmente tive a sorte de ser abençoado com uma mãe muito aberta e participante). Nosso comportamento também é perigosamente ditado pelos grupos de amigos. Digo perigosamente, porque também são outros meninos, inseguros, com pouca experiência de vida, com poucas referências.

Então seguimos para a adolescência e depois fase adulta, levando os mesmos vícios, as mesmas ideias deturpadas, ditadas pelos comerciais de TV, pelos amigos. Valores equivocados que estão enraizados no nosso meio social. Eu faria uma comparação ao programa fictício Matrix, relativo à franquia de filmes com mesmo nome. É como se o “homem brasileiro comum” estivesse preso a esse programa de inteligência artificial. Mesmo que esse cara tenha uma natureza voltada para o bem, ainda assim não se percebe como preso a um emaranhado de regras que, em última análise, só prejudicam e bloqueiam seu desenvolvimento intelectual e seu potencial.

Sem fazer nenhuma análise social aprofundada, podemos observar que em outros países da Europa e América do Norte os homens “comuns” parecem não se limitar tanto quando se trata de tarefas do cotidiano. Desde os garotos que brincam mais misturados com as meninas, ao adulto que realiza as tarefas de casa, sejam quais forem, e não se trata de ajudar as mulheres (como se tarefas do lar fossem competência do sexo feminino), mas sim de trabalhar juntos. É comum vermos nos filmes, documentários, ou quando viajamos para esses outros locais, o homem se apropriar mais de atividades como carpintaria, culinária, criação dos filhos, arte, como ações comuns.

Ora, se um Rodrigo Hilbert poderia ser considerado lá fora como apenas um homem normal, com comportamentos esperados para alguém na posição dele (marido, pai, profissional, amigo), porque ele causaria tanto espanto aqui no Brasil? Isso a ponto de ter gerado os mais diversos debates nas redes sociais brasileiras, que passaram da simples zoeira para as discussões mais acaloradas entre especialistas em sociedade e comportamento.

Parece patente que o problema não reside em Rodrigo Hilbert. Parece claro que os “ameaçados” deveriam fazer o exercício de olhar para si mesmo e descobrir que a razão de seu incômodo (porque esse tipo de atitude multifuncional incomodou realmente), pode estar em suas próprias limitações, criadas pelo tal “Manual de Comportamento do Homem Brasileiro”. Ou seja, criadas por você mesmo. Só você pode quebrar esses limites. Não existe “lei” para ditar se você quer ser um chef de cozinha, caminhoneiro, patinador, dançarino, encanador ou artesão. PC Siqueira falou apropriadamente, no vídeo que publicou esse mês, a respeito de quererem parar Rodrigo Hilbert: “fazer o melhor que você pode da sua vida já é uma vitória”.

Seja você mesmo e busque viver o que te agrada (sem prejuízo às pessoas que te rodeiam). Isso vai provocar mudanças positivas no seu mundo, e te tornar um melhor marido, um pai-referência, um amigo invejável. Faça um teste, inclua apenas uma atividade passatempo em seu dia a dia, algo que você sempre viu com certa restrição, mas que admira.

Meu amigo, siga o exemplo de muitas mulheres que tiveram coragem para serem lutadoras de MMA, pilotos de corrida, chefes de Estado, que, apesar das duras críticas, sempre têm destaque em quaisquer áreas de atuação.

Comentem! Um grande abraço e até o próximo sábado!

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